Fertilização in vitro

FIV

A fertilização in vitro (FIV), também conhecida popularmente como “bebê de proveta“, é um dos tratamentos de reprodução assistida mais avançados que existem na atualidade. Neste tipo de tratamento, o encontro entre o óvulo e os espermatozoides (a fertilização) ocorre em laboratório (in vitro), e daí vem a origem do nome deste tratamento.

A primeira FIV bem-sucedida aconteceu em 1978, no Reino Unido. Mais de 40 anos após este grande passo da medicina reprodutiva, muitas evoluções tecnológicas aconteceram e tornaram o tratamento mais eficaz e também mais acessível para pacientes com dificuldade para engravidar ao redor do mundo. Estima-se que mais de 5 milhões de bebês já tenham nascido em todo o mundo graças a FIV, que ajudou muitos casais a superar causas de infertilidade aparentemente intransponíveis anteriormente.

Só no Brasil, de acordo com dados da ANVISA coletados em 2020, são realizadas cerca de 36 mil FIVs por ano. Tem curiosidade sobre este tema? Conheça mais sobre este tratamento que ajuda milhares de casais a realizarem o sonho da maternidade e da paternidade.

Para quem a FIV é indicada?

Existem muitas situações em que a FIV é indicada, mas as indicações mais comuns são a infertilidade por:

  • Obstrução das tubas uterinas,
  • Alterações graves na produção de espermatozoides (oligozoospermia grave ou azoospermia),
  • Endometriose, especialmente a endometriose profunda,
  • Tempo prolongado de infertilidade (mesmo quando não se identifica ao certo a causa da infertilidade, também conhecida como infertilidade sem causa aparente)
  • Quando tratamentos mais simples, como a inseminação ou o coito programado, não dão certo depois de algumas tentativas.

Existem outras indicações para a FIV que não estão necessariamente relacionadas à infertilidade, como a preservação da fertilidade por meio do congelamento de embriões e também, quando é necessário realizar algum tipo de teste genético embrionário antes da implantação, como por exemplo, quando um dos parceiros possui alguma doença genética que pode ser hereditária.

Nos casos de maternidade solo ou de maternidade/paternidade para casais homoafetivos, a FIV também pode ser uma opção para a gestação, embora não seja a única alternativa. 

Como é feita a FIV?

Quando atingem a fase de blastocisto, os embriões podem ser transferidos ao útero “a fresco”, ou seja, no mesmo ciclo em que foram gerados, ou então, estes embriões podem ser congelados para transferência futura ao útero. É também neste estágio que, quando indicado, se realiza a biópsia embrionária, que consiste na remoção de algumas células para análise genética (explicada em maiores detalhes neste artigo).

  • Primeira etapa da FIV
    É a chamada estimulação ovariana, que geralmente se inicia a partir do primeiro, segundo ou terceiro dia do ciclo menstrual. Nesta etapa, utilizamos hormônios injetáveis que promovem o crescimento dos folículos ovarianos e o amadurecimento dos óvulos. A dose utilizada e o protocolo escolhido (ou seja, a combinação de medicações) dependerá de fatores como a idade materna, a causa da infertilidade, o peso da paciente e a quantidade de folículos ovarianos disponíveis (também conhecida como reserva ovariana). Cada protocolo é pensado sob medida para o casal, individualizado de acordo com o diagnóstico feito a partir dos exames e da anamnese. O crescimento dos  folículos  durante a fase de estimulação ovariana é acompanhado por meio do ultrassom transvaginal seriado – um exame simples, rápido e indolor, feito no próprio consultório, em diferentes dias durante a estimulação. A estimulação ovariana dura, em média, de 8 a 12 dias e durante este período são feitos por volta de 4 exames de ultrassom transvaginal. Assim que os folículos ovarianos alcançam o tamanho ideal, administramos uma outra medicação para que os óvulos dentro deles terminem seu processo de amadurecimento.
  • Segunda etapa da FIV
    A extração dos óvulos, também chamada de aspiração folicular, é feita algumas horas depois da primeira fase, por meio de uma punção ovariana com agulha. Este procedimento é muito rápido – leva aproximadamente 15-20 minutos – e é importante ressaltar que prezamos muito pelo conforto e tranquilidade das pacientes, por isso, vale dizer que a paciente recebe uma anestesia para passar por este processo sem sentir dor. Os óvulos obtidos neste procedimento são entregues para a equipe de embriologia para que comece a segunda etapa da FIV, que acontece dentro do laboratório. É lá que acontece o encontro do espermatozoide com o óvulo e o desenvolvimento do embrião, algo que vamos falar mais profundamente a seguir.
  • Terceira etapa da FIV: No laboratório
    Os óvulos são identificados, processados e avaliados pela equipe de embriologia. Em paralelo à coleta dos óvulos, o parceiro da paciente faz a coleta seminal. A amostra de sêmen é então processada pelo laboratório para isolar apenas os melhores gametas para a fecundação. No caso de se utilizar espermatozoides congelados, a amostra é descongelada no mesmo dia da fertilização.
  • Quarta etapa da FIV
    É a tão esperada fecundação dos óvulos pelos espermatozoides, que ocorre algumas horas após a coleta dos óvulos. A fertilização pode ocorrer de forma clássica: alguns espermatozoides são colocados em contato com cada óvulo e um deles “entra” naturalmente no óvulo. Outra forma de realizar a fertilização é pela injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI – um espermatozoide é injetado dentro de cada óvulo maduro). A escolha da técnica de fertilização utilizada depende principalmente de características da amostra de espermatozoides. Os embriões resultantes deste processo são cultivados no laboratório por alguns dias (habitualmente 5 a 7), para imitar o que deveria acontecer dentro da tuba uterina no caso de uma gestação natural, isto é, o encontro do óvulo com os espermatozoides e o desenvolvimento do embrião por alguns dias para permitir que, ao chegar ao útero, ele esteja pronto para implantar. Durante esta etapa, os embriões são avaliados periodicamente quanto ao seu desenvolvimento. Ao atingir o estágio de blastocisto, os embriologistas avaliam estes embriões, que recebem uma classificação embrionária de acordo com seu potencial de implantação. Quanto melhor esta classificação, maiores as chances de evolução da gravidez.
  • Quinta etapa da FIV
    Quando atingem a fase de blastocisto, os embriões podem ser transferidos ao útero “a fresco”, ou seja, no mesmo ciclo em que foram gerados, ou então, estes embriões podem ser congelados para transferência futura ao útero. É também neste estágio que, quando indicado, se realiza a biópsia embrionária, que consiste na remoção de algumas células para análise genética (explicada em maiores detalhes neste artigo).

Transferência embrionária ao útero

Este momento bastante aguardado pelas pacientes também traz bastantes dúvidas e aqui, vamos esclarecer as principais. A primeira delas é se o processo de inserir o embrião no útero causa algum tipo de dor.

Apesar de gerar um pequeno desconforto, geralmente não é necessário administrar nenhum tipo de sedação, pois a sensação é semelhante ao exame ginecológico de rotina.

A única recomendação prévia é que esteja com a bexiga cheia, para melhor visualização do útero na ultrassonografia.

Através de um cateter fino e flexível, inserimos um ou mais embriões na cavidade uterina, sempre seguindo as normas estipuladas pelo Conselho Federal de Medicina no que tange o limite máximo de embriões que podem ser transferidos em cada tratamento. Depois deste procedimento, não é necessário repouso absoluto e a vida transcorre praticamente normal, com exceção dos exercícios físicos mais intensos, que devem ser evitados.

O teste de gravidez pode ser feito dentro de 10 dias após a transferência.

Variações das técnicas de fertilização in vitro

FIV Clássica

Nesta técnica, um conjunto de espermatozoides é colocado em contato com um óvulo. A entrada do espermatozoide no óvulo e sua fertilização acontecem da mesma forma que em uma gestação natural, porém em laboratório.

ICSI

Um espermatozoide é selecionado para cada óvulo e injetado dentro do óvulo por meio de uma agulha microscópica.

Mini FIV

Este termo se refere a fase de estimulação ovariana. Na mini FIV, utilizam-se menores doses de hormônios para estimular os ovários e, consequentemente, obtém-se um número menor de óvulos.

Esperamos que todas as suas dúvidas sobre fertilização in vitro tenham sido esclarecidas durante esta leitura. Mas caso você ainda tenha alguma pergunta, não hesite em nos consultar. E principalmente: pense com carinho na possibilidade de procurar um especialista o quanto antes. O tempo pode ser seu maior aliado se você for ágil, mas também pode ser um grande empecilho, caso você decida postergar a busca por ajuda.

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